Depois de quinze anos afastado do gênero que o consagrou, Sam Raimi retorna ao terror com Socorro! (Send Help), um filme que revisita o híbrido de horror, comédia e thriller que tanto marcou o início da sua filmografia, mas que no entanto, se mostra um projeto frustrante desde os primeiros minutos.
A trama acompanha Linda Liddle (Rachel McAdams), que por trás de uma aparência desleixada e de uma personalidade excêntrica, desempenha seu papel com excelência no setor de estratégia e desempenho de uma grande empresa. Isso, no entanto, nunca foi suficiente para ela conseguir a promoção que sempre almejou, mesmo após anos de dedicação total. Vista pelos colegas como uma espécie de “patinho feio”, sua situação se agrava com a chegada de Bradley (Dylan O'Brien), o herdeiro arrogante que assume a empresa após a morte do pai.
Ele não somente a humilha, como também deixa claro que a vaga para o qual ela estava esperançosa em assumir, será deliberadamente ocupada por um outro funcionário, um amigo pessoal de Bradley, que está na empresa há poucos meses. Após muita insistência, Linda consegue uma oportunidade de viajar com a diretoria para visitar a nova filial em Bangkok, na Tailândia, onde pode ter a chance de finalmente mudar sua trajetória profissional. Porém, a viagem toma um rumo catastrófico quando o avião pega fogo no ar e cai no mar, restando apenas Linda e Bradley como sobreviventes, à deriva em uma ilha no meio do Pacífico.
Essa dinâmica, que deveria sustentar tanto o humor quanto a tensão, falha justamente por sua artificialidade. À medida que os personagens se tornam progressivamente instáveis, o filme aposta em situações absurdas que parecem buscar o riso, mas acabam provocando apenas constrangimento. Até mesmo o absurdo precisa ter algum tipo de lógica, e o que se desenha é um conflito que evolui de um embate de egos (com um leve fundo de debate de gênero) para uma espiral de violência gratuita, resvalando no completo disparate.
A parte técnica também não se sustenta. Os efeitos visuais, especialmente nas cenas da queda do avião e no encontro de Linda com um javali, são pouco convincentes, e se apresentam de forma terrivelmente grotesca. A trilha sonora também soa invasiva e desproporcional, atrapalhando mais do que contribuindo para atmosfera. Por fim, embora haja entrega física por parte do elenco, nem mesmo o empenho dos atores é capaz de contornar um roteiro raso, previsível e, em muitos momentos, infantil.




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