Durante muitas décadas, o faroeste foi um dos gêneros
mais explorados pelo cinema norte americano. Porém, se analisarmos os
filmes da era de ouro dos western, praticamente todos tinham algo em
comum: apresentavam apenas a perspectiva do homem branco na história.
Com o retorno do gênero aos holofotes, estava mais do que na hora de
termos uma história do velho oeste voltada às figuras negras que tiveram
relevância nesse período, e finalmente isto aconteceu.
No seu
longa de estreia, o diretor Jeymes Samuel apresenta uma narrativa que
rompe totalmente com o estereótipo do gênero, e que na minha visão bebe
muito da fonte do cinema de Quentin Tarantino, seja nas piadas
sarcásticas, na trilha sonora ou no sangue jorrando sem pudor. O enredo
apresenta personagens que realmente existiram na vida real, ainda que as
situações que eles enfrentam aqui sejam fictícias. A trama acompanha
Nat Love (Jonathan Majors), que sofreu um grande trauma na infância
causado pelo bandido Rufus Buck (Idris Elba). Anos depois, quando
descobre que Rufus foi solto da prisão, Nat resolve reunir um grupo para
tentar se vingar do que aconteceu no passado, mas Rufus ainda tem um
forte time do seu lado e não está disposto a deixar barato.
O
sucesso de um filme começa muito pela escolha do seu elenco, e aqui o
acerto foi grande. Além de Idris Elba e Jonathan Majors, ainda temos
Regina King, Lakeith Stanfield, Zazie Beets, Deroy Lindo, entre outros, e
todos trabalham de forma impecável. Outros pontos positivos são a
trilha sonora, que faz uma mescla incrível de sons clássicos com músicas
atuais e traz a assinatura de Jay-Z, e a fotografia, que prioriza
tonalidades fortes e vibrantes em meio a poeira do deserto.
Algumas escolhas estéticas na narrativa também me agradaram muito, como o uso de tela dividida e a câmera sempre em movimento. Também gostei do plot twist no final, e da maneira que isso foi mostrado, apesar de ter achado a "vingança" do nome um pouco sem sentido. Por fim, Vingança e Castigo é, com certeza, uma das maiores surpresas que tive no ano, e vale a pena não só pela representatividade mas pela beleza estética.
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