domingo, 21 de agosto de 2016

Nise - O Coração da Loucura (2016)


Algumas pessoas parecem vir à terra com um propósito e uma missão. Não que eu acredite realmente nisso, mas basta ler histórias como a da médica psiquiatra Nise da Silveira para repensarmos sobre o assunto. Nise não só revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil como ajudou a dar sentido para a vida de muitos pacientes tidos como crônicos.


Em 1944, Nise (Glória Pires) foi trabalhar no Centro Psiquiátrico de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Logo de cara, a doutora se viu chocada com a maneira com que eram tratados os pacientes do local, principalmente com o uso da lobotomia, prática que começou a ganhar espaço nos manicômios do país.

Decidida a mudar a realidade do lugar, Nise começou a estimular a arte nos pacientes, que ela fazia questão de chamar de clientes. Os doentes, tidos como irrecuperáveis, pouco a pouco foram demonstrando avanços consideráveis em seus tratamentos, mostrando que o que lhes faltava na verdade era apenas um pouco mais de atenção e compreensão. Obviamente que o jeito de Nise em lidar com a situação passou a causar desavenças, que culminaram em uma série de problemas envolvendo seu nome. 


O filme emociona ao mostrar a capacidade criativa que os pacientes demonstraram e o grande carinho que, da maneira deles, eles tiveram com a médica. Todas as atuações do filme são elogiáveis, com destaque, claro, para Glória Pires, sempre magnífica nos seus papéis e que aqui não é diferente. O legado de Nise ainda sobrevive, e é um grande exemplo de humanidade e respeito ao próximo.

domingo, 31 de julho de 2016

Crítica: O Dono do Jogo (2016)


Entre as décadas de 60 e 70, o mundo estava dividido entre os que apoiavam os Estados Unidos e os que apoiavam a União Soviética na Guerra Fria. Nesse período, qualquer coisa que envolvesse os dois países era carregado de tensão, até mesmo quando se falava em hegemonia no campeonato mundial de xadrez.


Os russos mantiveram por décadas a hegemonia no esporte, até surgir um norte-americano que mudaria isso. O nome dele? Bobby Fischer (Tobey Maguire), um homem cheio de manias e psicologicamente perturbado que virou febre no país ao enfrentar o russo Boris Spassky (Liev Schreiber) na grande final do mundial.

O filme passa rapidamente pela infância de Bobby, quando ele aprendeu sozinho a jogar xadrez para matar o tempo em que ficava sozinho em casa. Logo ele foi se aperfeiçoando no jogo até começar a conquistar seus primeiros campeonatos. Sua personalidade conflitante e seu comportamento, no mínimo, arrogante, trouxe diversos problemas ao longo da carreira, mas nunca impediu que ele fizesse bem aquilo que mais amava.


O destaque do longa vai para a atuação impressionante de Tobey Maguire. Ele interpreta o gênio dos tabuleiros de forma visceral, e traz uma de suas melhores atuações da carreira. Por fim, Fischer era um gênio ou um louco? Ou os dois? Cabe ao espectador analisar e tirar suas conclusões a respeito dessa figura tão icônica na história do esporte.

domingo, 26 de junho de 2016

Crítica: Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (2016)


Não é de hoje que os estúdios cinematográficos usam filmes de animação para passar belas mensagens, tanto para crianças como para adultos. O Rei Leão (1994) e Procurando Nemo (2003) abordaram a relação entre pai e filho, Up! - Altas Aventuras (2009) e Shrek (2001) falaram sobre a essência do amor, Toy Story (1995) mostrou a importância e o verdadeiro valor das amizades e Valente (2012) provou que todos podemos ser quem quisermos, basta acreditarmos.



Em Zootopia - Essa Cidade é o Bicho, o que entra em discussão é o preconceito e a intolerância, temas bastante pertinentes para a época que vivemos. O enredo acompanha Judy, uma coelhinha que vive em uma pequena cidade do interior e sonha ser uma policial, mas não é levada a sério pelos outros animais por causa de seu tamanho.

Indo contra a opinião de todos, Judy se forma na academia de polícia e vai trabalhar em Zootopia, uma metrópole onde todos os animais vivem pacificamente, indiferentemente de suas características naturais. Primeiramente designada para ser guarda de trânsito, ela vê num caso a chance de provar para todos que pode sim ser uma policial de verdade, e para isso conta com a ajuda de Nick, uma raposa que ganha a vida praticando golpes.




A cidade vive em harmonia há anos e sempre relembra com tristeza a época em que o mundo era dividido entre predadores e presas. Esse fantasma do passado volta a assombrar quando, por um motivo misterioso, os predadores naturais como leões, raposas e onças passam a agir de forma violenta.

Aliás, é bastante interessante a maneira como os animais, todos com suas diferenças, são aproveitados no filme. Os bairros são divididos por ecossistemas da natureza, e é tudo feito com uma riqueza impressionante de detalhes. Alguns momentos são realmente hilários, como o departamento público comandado por bichos-preguiça, que fazem tudo vagarosamente. São pequenas sacadas que no conjunto da obra se tornam geniais.




Com diálogos e piadas inteligentes, um visual caprichoso, e referências à cultura pop (até mesmo ao clássico O Poderoso Chefão), o filme consegue passar lições de moral com uma roupagem inteiramente atualizada, e tem justamente aí o seu grande triunfo. Mais um grande acerto da Disney.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Crítica: Decisão de Risco (2016)


O enredo de Decisão de Risco (Eye in the Sky), novo filme de Gavin Hood, acompanha uma delicada operação militar dos exércitos do Reino Unido e dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia. Comandada pela Coronel Katherine Powell (Helen Mirren), a operação consiste em capturar dois britânicos e um norte-americano que integram um grupo terrorista local, o Al-Shabaab, que está planejando um ataque na região.


Para ajudar na missão, eles contam com os tenentes Steve Watts (Aaron Paul) e Carrie Gershon (Phoebe Fox), que controlam um drone carregado com mísseis direto de uma base militar em Nevada, nos Estados Unidos. Quando é descoberto o encontro dos terroristas em uma casa, o exército se prepara para atacá-la, mas porém, uma vida inocente acaba sendo envolvida no meio.

A partir desse imprevisto, uma série de pessoas acabam sendo envolvidas, em diversos locais diferentes, e uma simples decisão acaba se tornando um martírio. Lançar o míssel e causar danos colaterais em uma pessoa inocente, ou não agir e correr o risco de um atentado de proporções muito maiores? Entre figuras importantes como Generais e Ministros de ambos os países, todos vão dando suas opiniões acerca do dilema, ao mesmo tempo em que todos tentam empurrar para outros a decisão final. É até cômico ver como decisões de vida ou morte são tomadas pelo alto escalão dos governos mundiais, e o diretor não se exime de mostrar isso.

O elenco de gala trabalha muito bem e consegue transparecer toda a tensão e o nervosismo gerado pelas decisões, todas com pouco tempo para serem tomadas. Além das atuações riquíssimas de Helen Mirren e Alan Rickman, vale destacar ainda a participação de Aaron Paul e Barkhad Abdi, todos de extrema importância para o andamento.


Com um roteiro empolgante, que não deixa o espectador desgrudar um só segundo os olhos da tela, Decisão de Risco foge do clichê e se mostra um filme bastante corajoso, principalmente por criticar sem medo o jeito com que os países desenvolvidos lidam com os problemas dos países mais pobres.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Crítica: Bone Tomahawk (2016)


Um gênero que andava esquecido e que vem conquistando novamente seu espaço é o faroeste. Nos últimos anos, principalmente após os lançamentos de Django Livre e Os Oito Odiados, o faroeste vem ressurgindo das cinzas, e Bone Tomahawk pega carona nesse embalo trazendo uma mistura de humor e sangue.


O enredo conta a história de quatro homens de uma cidade pacata do interior que precisam resgatar uma prisioneira sequestrada por uma tribo de canibais. O xerife (Kurt Russell), seu ajudante (Matthew Fox), um pistoleiro (Richard Jenkins) e um cowboy (Patrick Wilson) correm pelo deserto em busca de Sam (Lili Simmons), a mulher do cowboy.

O filme começa mostrando o dia-dia daquele pacato vilarejo, apresentando o modo de vida dos personagens principais que irão posteriormente viver a aventura. No segundo ato começam as cenas de ação, quando o filme foca na jornada dos quatro até a tribo indígena. O clima de suspense permeia o tempo todo, e o ato final só prova que o diretor não tem medo de ousar.










Por fim, Bone Tomahawk é um filme que faz uma boa homenagem ao gênero, mesmo abusando de elementos da atualidade. Intenso, com uma fotografia magnífica e um elenco de primeira, ele cumpre tudo que promete e encanta até mesmo que nunca foi fã das histórias de bang-bang.