domingo, 25 de agosto de 2013

Crítica: A Busca (2013)


Infelizmente somos acostumados a ver, cada vez mais, filmes nacionais absurdos e muito mal feitos sendo lançados por aqui, e o pior, levando boa parte da população aos cinemas. Por tudo isso, poucos momentos cinematográficos me deixam tão contente quanto assistir um filme de qualidade feito em solo brasileiro, e olha que não são poucos. Com A Busca, filme dirigido por Luciano Moura, tive essa sensação.


A trama acompanha a vida de Theo Gadelha (Wagner Moura), um médico e pai de família que de um dia para o outro vê sua vida ruir com o pedido de divórcio da esposa, Branca (Mariana Lima). No meio de tudo isso está o filho do casal, o adolescente Pedro (Brás Antunes), de apenas 15 anos. Theo tenta uma reaproximação, mas a posição de Branca é definitiva. Ele passa então a ver o filho só quando visita a casa onde ele fica morando com a mãe, mas claramente não é bem-vindo. 

Para amenizar o sofrimento do filho, que fica bastante transtornado com as mudanças, Theo decide mandá-lo para um intercâmbio, na esperança de que até sua volta, as coisas estejam resolvidas. Porém, Pedro não aceita ir, e numa atitude impulsiva, resolve fugir de casa anunciando que vai viajar com um amigo.


Ao perceberem que ele não volta pra casa após o prazo estabelecido, os pais descobrem que na verdade não havia viagem nenhuma. Theo inicia então uma busca para saber o verdadeiro paradeiro do garoto. Reunindo pistas com pessoas que dizem terem visto o garoto, ele acaba atravessando dois estados para enfim chegar ao reencontro final.

Na viagem, Theo passa a rever alguns valores, numa verdadeira trajetória de auto-conhecimento entre vilarejos pobres do interior do Brasil. Além do mais, aos poucos, ele passa a descobrir coisas do filho que antes ele não fazia ideia. Essa é a grande lição levantada pelo filme, ao trazer uma gritante crítica aos pais e filhos que pouco se conhecem mesmo vivendo diariamente debaixo do mesmo teto.


A atuação de Wagner Moura é como sempre marcante. A fotografia é belíssima, a trilha sonora mais ainda, e o enredo é muito bem montado. É interessante perceber que cada personagem que aparece no caminho de Theo tem algo a mostrar, e uma história interessante para contar. Os diálogos são simples, mas não óbvios.

Por fim, A Busca é uma experiência bacana, de um filme nem um pouco forçado, que não tenta ser o que não é. Há, com certeza, alguns pontos negativos, mas que de tão pequenos, passam a ser insignificantes perto do bom resultado final. Uma luz no fim do túnel do cinema nacional é acendida a cada filme como esse. Vale a pena!

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