domingo, 14 de julho de 2013

Crítica: Paraíso: Fé (2012)



O diretor austríaco Ulrich Seidl é conhecido por incomodar as plateias de seus filmes com estórias cruas e hiper-realistas, abusando da violência física e psicológica, e das cenas de sexo explícito. E nesse seu mais novo trabalho ele não economiza em nada disso.



Segunda parte de uma trilogia que começou com Paraíso: Amor e terminará com Paraíso : Esperança, Paraíso: Fé (Paradies: Glaube) é mais uma trama do diretor que aborda o universo feminino, principalmente o das mulheres maduras que sofrem de depressão graças às suas rotinas tediosas e exasperantes.

Nesse filme acompanhamos a vida de Anna (Maria Hofstatter), uma enfermeira católica que faz parte de um grupo de religiosos fanáticos que pregam a palavra de deus, e cuja intenção é trazer a religião de volta à vida das pessoas. De férias do hospital, Anna passa a visitar os vizinhos próximos levando a tiracolo sua imagem de virgem maria, para converter todos ao catolicismo. Nessas visitas, ela encontra pessoas dispostas a ouvi-la e outras que fecham a porta na sua cara.



Assustada com a falta de fé das pessoas, Anna se pune diariamente a fim de pagar pelos pecados dos outros, seja se chicoteando, seja andando pelo ambiente de joelhos, ou até mesmo rezando o rosário incessantemente. Um dia seu marido muçulmano retorna para casa, e tenta fazer com que Anna volte aos tempos em que dividiam os prazeres na cama. Os problemas começam quando Anna não quer fazer nada, por achar que estará cometendo o pecado da luxúria (mas a noite, sozinha em seu quarto, ela se masturba usando a imagem de jesus na cruz, que segundo ela, é seu grande amor).


Não se trata de um filme fácil, tanto pelo ritmo lento (como já é costume do diretor), como pela abordagem fria e direta. É um filme que mexe com os mais sensíveis. Com a câmera fixa em um ponto enquanto a ação se desenrola em frente, Ulrich faz com que nos sintamos no mesmo cômodo que os personagens, como um espião atrás das cortinas. Por fim, a intenção do filme é válida, mas o resultado final parece ficar meio indefinido. Não recomendado para pessoas sensíveis (e religiosos de plantão).

Um comentário:

  1. Aonde eu poderia ver esse filme legendado ou dublado em português?

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