sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Crítica: Interestelar (2014)


Christopher Nolan se tornou nos últimos anos um dos diretores mais respeitados de Hollywood. Desde seu primeiro sucesso Amnésia, lançado em 2000, ele coleciona uma elogiável lista de filmes, como a trilogia Batman - Cavaleiro das Trevas, o contraditório O Grande Truque e o enigmático A Origem. Em 2014 seu nome volta à tona com a superprodução Interestelar, talvez seu filme mais ambicioso até então, que vem chamando bastante atenção da crítica.



O enredo começa contando a história de Cooper (Matthew McConaughey), um fazendeiro viúvo que vive com seu pai e seus dois filhos numa fazenda enquanto cuida de sua lavoura de milho, atormentada pelas constantes tempestades de poeira que vem atingindo a Terra. Num futuro de data incerta, o nosso planeta está sofrendo de um grande mal que acabou com quase todas as reservas de comida, gerando uma enorme crise mundial.

Temendo pela extinção da espécie, um grupo de astronautas é enviado para além da galáxia para explorar outros planetas e tentar encontrar algum que possua as mesmas características da Terra e possa abrigar uma nova colônia de humanos. Sem querer, Cooper acaba sendo o responsável por comandar a equipe, por conta de sua experiência anterior como piloto da NASA, mesmo que para isso acabe tendo que deixar a família sob risco de nunca mais vê-la.



A partir de então, entramos numa verdadeira odisseia pelo espaço, sendo impossível não compará-lo ao grande clássico de Kubrick ou até mesmo a Solaris, de Tarkovski. No entanto, dessa vez Nolan vai muito mais longe do que qualquer um havia ido, fazendo com que a Sonda espacial atravesse a nossa galáxia e vá para outras, o que parece hoje humanamente impossível (até que se prove o contrário).

Mas Nolan usa durante todo o filme teorias de físicos conceituados, e absolutamente nada passa sem explicação. Diferente de A Origem, onde todos ficamos com um ponto de interrogação gigantesco na cabeça após o final, aqui tudo é explicado nos detalhes. Isso acaba cansando a segunda parte do filme, pois são muitas informações científicas, mas de fato elas são importantíssimas pro andamento.



O começo mais humanista, do pai de família cuidando dos filhos, contrasta com o final teórico. A relação espaço-tempo permeia todo o filme, assim como a multimensionalidade. A cena mais magnífica do filme para mim é quando Cooper recebe, no espaço, mensagens de seus filhos. Como a passagem do tempo acaba sendo diferente para quem está na Terra e para quem está no espaço, Cooper continua com a mesma idade enquanto os filhos já estão crescidos e com filhos.

Muitos filmes mostram um mundo à beira do colapso, onde um herói é designado para, literalmente, "salvar a humanidade". O filme não foge tanto assim disso, mas não dá para dizer que ele segue um clichê. O roteiro é bem construído, e as atuações são excelentes, com destaque para Matthew McConaughey, ganhador do último Óscar e grande nome da geração atual de atores. Na parte técnica, a única coisa que realmente me incomodou foi a trilha sonora. Em alguns momentos ela se torna extremamente insuportável.



Por fim, Interestelar é um filme grandioso em sua essência, mas não me deixou saciado no final. Eu queria algo a mais, confesso, mas ainda assim é um filme a ser lembrado pelos próximos anos. Contemplativo, o longa tenta nos mostrar que somos apenas uma pequena partícula de um universo tão vasto e ainda inexplorado, e esse é seu grande mérito.


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