segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Crítica: Sicário - Terra de Ninguém (2015)


Depois de ter lançado em 2010 o espetacular Incêndios, o canadense Denis Villeneuve passou a ganhar atenção especial da crítica e do público em geral, sendo considerado por muitos como um dos melhores diretores dessa nova geração. Com Sicário - Terra de Ninguém (Sicario) ele ressurgi entre os grandes depois do desastre de O Homem Duplicado (2013), trazendo uma trama enérgica e arrebatadora.


Kate Macy (Emily Blunt) é uma importante agente do FBI. Respeitada por sua excelência no trabalho, ela é convocada pela CIA para ajudar a desarticular um cartel de drogas mexicano e prender seu grande líder, Fausto Alarcon (Julio Cedillo). Entre seus "novos colegas" estão Matt (Josh Brolin) e Alejandro (Benício Del Toro), cujas personalidades vão sendo mostradas pouco a pouco, formando entre eles um trio bastante peculiar.

Na medida que o plano vai avançando, aumenta também o perigo, e cada tática errada pode se tornar fatal. No entanto, quanto mais Kate fica sabendo sobre os reais motivos da operação, mais ela vai descobrindo estar dentro de um esquema ilegal e antiético, porém sem chances de sair.


Não é um filme leve, muito pelo contrário. Algumas cenas são fortíssimas, e é preciso um estômago forte para suportar. A realidade violenta das ruas de Juárez, no lado mexicano da fronteira, é mostrada de forma crua e sem filtro. Porém, a violência não é gratuita, e ajuda na criação do clima tenso que acompanha o filme durante todo o momento.

Algumas cenas são sensacionais, como o momento de travessia da fronteira, onde os agentes americanos se vêem cercados por mexicanos armados até os dentes. A fotografia do filme é extraordinária, com lindas tomadas aéreas e um jogo de cores interessante. Na parte das atuações, todos cumprem bem seu papel, com destaque para o trio Blunt, Brolin e Del Toro.


Apesar de sua inegável qualidade, o enredo possui alguns furos que são facilmente perceptíveis, mas isso não chega a atrapalhar seu desempenho final. O foco nos detalhes, característica marcante nos filmes de Villeneune, se faz presente novamente, e é preciso tomar cuidado para não perder nenhum deles.

Acima da média em comparação com outros filmes de ação, Sicário - Terra de Ninguém é um dos filmes mais impactantes do ano, e tem como pontos fortes o seu ritmo frenético e seu questionamento em relação à moralidade das agências de inteligência americanas. Uma boa pedida, sem dúvida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário