quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Crítica: Prenda-me (2013)


Um homem morre após despencar da sacada do apartamento onde morava, e o inquérito policial classifica o ato como suicídio. Dez anos depois, sua mulher (Sophie Marceau) aparece na delegacia para confessar que não foi suicídio, e sim, que ela o empurrou lá de cima. Esse é o mote central de Prenda-Me (Arretez Moi), novo filme do francês Jean-Paul Lilienfeld.


É noite, e a policial Pontoise (Miou-Miou) está de plantão na delegacia onde trabalha, com as luzes apagadas para evitar ao máximo que sua tranquilidade seja abalada. O que ela não esperava era que em poucos minutos teria que enfrentar um dos maiores e mais estranhos desafios de sua carreira: uma mulher (sem nome propositalmente, e depois eu falo mais o porquê) que entra em sua delegacia e exige ser presa por um ato que praticou há 10 anos, faltando apenas um dia para o mesmo prescrever.

O sentimento de culpa a corrói, e ela quer pagar pelo mal que fez: atirar o marido pela sacada do apartamento onde moravam juntos. Aos poucos vamos voltando ao passado, e através de flashbacks, vamos descobrindo os motivos para tal ato. O marido a violentava fisica, verbal e sexualmente, e as cenas são chocantes por serem mostradas sob a perspectiva da vítima, como se a câmera fosse seus olhos.



Logo, a policial se nega a prender a mulher pelo que ela chama de "crime perfeito", talvez por se sentir compadecida com sua situação. Com diálogos perturbadores e ácidos, ambas as personagens vão sendo construídas nos detalhes. Remexendo em cicatrizes do passado, descobrimos que ambas possuem histórico de violência doméstica, o que explica a relutância da policial em prendê-la.

Apesar dos direitos conquistados pelas mulheres, é latente a existência da violência doméstica no dia-dia. E muitas vezes, elas se sentem na obrigação de aguentar isso, numa espécie de comodismo psicológico, ou simplesmente por não ter a quem recorrer. A personagem principal não possui nome, justamente para representar todas as mulheres que sofrem desse mal, e esse é uma excelente jogada da direção.



O filme peca um pouco pela forma com que nos é apresentado, principalmente com a personagem da policial, que é um pouco estereotipada e caricata demais. O bom humor ajuda a deixar o filme mais leve, mas tirou um pouco da empatia com a história, deixando-a inverossímil, e tirando o foco do tema principal. Quase no fim do ato, aparece o filho adolescente da mulher, que não ganha muito aprofundamento, comprovando novamente a condução precária do enredo, que acaba deixando o resultado final abaixo do que o esperado.


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