terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Crítica: A Garota Dinamarquesa (2016)


Na década de 1920, o artista Einar Wegener (ou Lili Elbe, como ficou conhecido posteriormente) se tornou a primeira pessoa da história a passar pelo procedimento de mudança de sexo. Baseado no livro de David Ebershoff, A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl), do diretor britânico Tom Hooper, nos conta um pouco mais sobre a vida de Einar, focando principalmente em sua relação com a esposa e no quanto cada um deles teve de abrir mão após sua decisão.



Einar (Eddie Redmayne) e Gelda (Alicia Vikander) formam um jovem casal de pintores que vive em Copenhague, capital da Dinamarca. Enquanto ele pinta paisagens delicadas e adquire um certo sucesso com suas obras, ela gosta de pintar retratos de mulheres e luta constantemente para conseguir um espaço para expôr o seu trabalho, o que é bastante difícil justamente pelo fato dela ser mulher.

Numa brincadeira entre os dois, Einar aceita se vestir de mulher para ser pintado por Gelda, já que ela está com dificuldades de encontrar novas modelos. A brincadeira, no entanto, começa a ir além disso, chegando ao ponto dele ir a uma festa vestido como "Lili", a personagem que eles criaram. Isso é só o começo de uma longa jornada de auto-conhecimento pelo qual Einar começa a passar, onde ele aos poucos vai descobrindo um outro lado seu que ele até então desconhecia.



O enredo é muito bem construído, e é de uma sensibilidade emocionante. A parte técnica é elogiável, desde sua bela fotografia até a poética trilha sonora, composta por Alexandre Desplat (conhecido por seu trabalho na saga Harry Potter e no mais recente O Grande Hotel Budapeste). A ambientação da época também ficou extremamente verossímil, assim como os figurinos de Paco Delgado (que já havia trabalhado com Hooper em Os Miseráveis). 

Além de suas indiscutíveis qualidades técnicas, o que chama a atenção também são as atuações de Redmayne e Vikander. Redmayne tem pelo segundo ano consecutivo uma atuação impressionante, e depois de ganhar o Óscar ano passado ao interpretar o astrofísico Stephen Hawking, ele volta à premiação novamente com boas chances. A jovem Alicia Vikander, que começou a aparecer recentemente em Hollywood, também tem uma atuação firme e mostra que veio para ficar.



As emoções de ambos os personagens são percebidas nos olhares e nos gestos, sendo tudo muito verdadeiro. É impossível também não se emocionar com o dilema de Gelda ao longo de toda a trama. Enquanto ela tenta ajudar o marido a ser o que ele realmente é, tem que lidar com a solidão consequente da perda do parceiro.

Mais do que contar um fato marcante que mudou para sempre a medicina e a vida de milhares de pessoas, o filme é importante também por trazer à tona novamente a discussão da transexualidade. Um assunto sempre atual, sobretudo, infelizmente, por conta do preconceito ainda latente na nossa sociedade.



Por fim, sob a mão sempre firme de Tom Hooper, um diretor que sabe como ninguém abordar romances de época, A Garota Dinamarquesa é um grande filme, não só pelas suas qualidade, mas pelo sentimento que evoca. Apesar de estar concorrendo em algumas categorias importantes do Óscar, ele não está concorrendo a melhor filme, e já é para mim o grande injustiçado desta edição, pois merecia.

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