quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Crítica: Spotlight: Segredos Revelados (2016)


Em 2002, a cidade de Boston, conhecida pela forte presença da igreja católica, ficou chocada com a revelação de décadas de abusos sexuais cometidos por padres contra crianças na comunidade. Um grupo de jornalistas estava por trás da descoberta e é sobre eles que gira o enredo de Spotlight: Segredos Revelados, novo filme do diretor Thomas McCarthy. No fim, o número de casos foi tão alarmante, que o escândalo se tornou mundial e abriu precedentes para investigações do tipo em todo o mundo.


Walter Robinson (Michael Keaton), Mike Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matty Carroll (Brian d'Arcy James) trabalham no setor de investigação do jornal Boston Globe, responsável por trazer à tona diversos assuntos espinhosos que muitas vezes levavam mais de ano para serem finalmente publicados. Quando Marty Baron (Liev Schreiber) assume a diretoria de edição, ele pede que a equipe investigue mais a fundo casos de pedofilia envolvendo padres católicos de Boston, que já saíram no jornal mas receberam pouca atenção.

A equipe começa então a correr atrás de informações, primeiro entrevistando o promotor Mitchell Garabedian (Stanley Tucci), e depois as próprias vítimas, que aceitaram remexer na memória para ver os responsáveis finalmente punidos. Com isso, o grupo conseguiu reunir documentos que provavam um número absurdo de casos, muito maior do que eles imaginavam de início, e pior, que todos eram do conhecimento da igreja, principalmente do cardeal Law (Len Cariou).


A força da igreja, que sempre tentou desacreditar os boatos acerca desse tipo de crime tratando como casos isolados, quando na verdade sempre foram muito maiores do que se imagina, é mostrada de forma crua e sem rodeios. Sempre que se afastava um sacerdote por causa disso, a igreja colocava em seus registros como "licença médica", e eles consequentemente nunca foram julgados. Porém, diferentemente do que poderia se imaginar, o filme não prega o anti-catolicismo. Ele critica sim a inércia e o acobertamento da igreja em casos como esses, mas foca na instituição, apenas mostrando os fatos como eles ocorreram da forma mais verdadeira possível.

O enredo é primoroso e mostra com extrema competência essa odisseia dos jornalistas e os sacrifícios que eles enfrentaram para conseguir coletar os dados que precisavam. O grande trunfo, e também o que mais choca, são os relatos das vítimas, extremamente verdadeiros e cheios de detalhes. Muitos eram persuadidos na infância por acreditarem na santidade do padre. Além disso, mostra ainda que não eram só meninos, mas meninas também, e o quanto cada um deles jamais conseguiu superar isso.


O filme tem um elenco de peso, e entre todos os nomes o que mais chama a atenção é o de Mark Ruffalo. O ator se entrega totalmente ao papel de um jornalista esquisitão, que dentre todos os colegas foi o que mais se deixou afetar emocionalmente com os fatos descobertos, e consequentemente, foi o que mais se empenhou. Quem também brilha é Rachel McAdams e Michael Keaton, mas todo o restante também está muito bem.

Por fim, Spotlight: Segredos Revelados é um filme que tem o mérito de contar uma das histórias mais importantes desse século, onde homens comuns conseguiram fazer com que uma instituição milenar ficasse de joelhos e pedisse perdão por seus erros. Vale lembrar que a reportagem rendeu o prêmio Pulitzer de Serviço Público para os jornalistas em 2003. Forte candidato ao Óscar deste ano, é um filme imperdível, e já entra para a lista dos melhores do ano.

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