domingo, 17 de janeiro de 2016

Crítica: O Quarto de Jack (2016)


O cineasta irlandês Lenny Abrahamson vem conquistando cada vez mais o seu espaço e consequentemente uma legião de admiradores. E eu sou um deles, principalmente depois de ter assistido Frank (2014). Pois em 2015 ele volta aos cinemas com o espetacular O Quarto de Jack (Room), baseado no livro homônimo de Emma Donoghue, que já é uma das melhores surpresas do ano.



O menino Jack (Jacob Tremblay) vive com a mãe (Brie Larson) em um pequeno quarto sem janelas, cuja única visão para o mundo exterior é uma claraboia, de onde ele nunca saiu desde que nasceu. A vida claustrofóbica que leva já é mostrada desde a primeira cena, quando ele acorda e dá bom dia para os objetos inanimados que compõe o local. Ele foi ensinado desde pequeno a pensar que o quarto é o mundo e que fora dele só existe o "espaço sideral", nada mais.

Esse começo estranho e curioso vai ganhando forma com o passar do tempo e não demora para entendermos a real situação em que eles estão inseridos, principalmente depois que aparece a figura do "velho Nick" (Sean Bridges), um homem que visita o quarto todas as noites e que também é responsável por trazer tudo que eles precisam para se manter, como comida e produtos de higiene.



Há sete anos atrás, quando voltava da escola, Joy foi sequestrada por um homem, e desde então foi mantida em cárcere privado por ele. Estuprada diariamente, ela teve Jack no cativeiro, e quando o menino completa 5 anos, ela passa a mostrar pouco a pouco essa dura realidade para ele, que ela sempre escondeu para protegê-lo. Obviamente ele custa a acreditar, e é emocionante, por exemplo, quando ele diz ingenuamente que gostaria de voltar a ter 4 anos para continuar sem saber de tudo.

Apesar de viver trancafiado entre quatro paredes, Jack sempre foi inteligente e esperto, e não demora para compreender a gravidade da situação e ajudar sua mãe a planejar a fuga. Na segunda metade o filme já se passa no mundo externo, depois que o plano dos dois dá certo e eles são libertados do cativeiro. No entanto, mesmo contando com o apoio da família, Jack demora para se adaptar nesse mundo novo, cheio de oportunidades e diferente de tudo que ele até então conhecia.



O filme mostra muito bem a dificuldade de voltar a ter uma vida normal depois de um acontecimento traumático como esse. Por mais que tentem, tanto Jack como a mãe jamais irão se recuperar do trauma. Uma das cenas mais emocionantes é quando Jack visita o lugar onde cresceu e acha tudo menor do que era antes. Isso era esperado, já que ele conheceu o mundo de verdade e tudo que ele tem para oferecer. Foi como se ele tivesse nascido de novo. A fotografia auxilia nessa hora, começando azulada e fria para depois ganhar cores fortes. É como a vida de Jack, que ganhou um novo significado.

Apesar de todas as qualidades técnicas, a atuação dos atores é o que mais chama a atenção no longa. O menininho Jacob Tremblay tem aqui uma das atuações mirins mais impressionantes que eu já tive a oportunidade de assistir, mas quem rouba a cena mesmo é a canadense Brie Larson, que inclusive venceu o Globo de Ouro de melhor atriz e também foi indicada ao Óscar.



Por fim, O Quarto de Jack é sem dúvidas um dos melhores filmes (se não o melhor) que você irá assistir em 2016. Pesado mas ao mesmo tempo encantador, é um filme que vai ficar na sua cabeça por dias, e já virou o meu favorito para vencer o Óscar deste ano.

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