sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Por que a trilogia "O Hobbit" fracassou?

Poucas coisas são mais frustantes do que criar uma expectativa imensa para um filme e ver tudo indo por água abaixo já nos primeiros minutos. Pior ainda é quando você espera ansioso pela adaptação de um livro que você gosta muito e o filme acaba sendo uma decepção sem tamanho. Pois com O Hobbit eu tive esse sentimento.



Quando li a notícia que Peter Jackson transformaria O Hobbit, livro escrito por J. R. R. Tolkien, em filme, minha expectativa foi lá no alto. Quando ele anunciou que seriam três filmes, no entanto fiquei desconfiado. Afinal de contas, como preencher três filmes, cada um com cerca de 2h30min, com uma história contada em pouco mais de 300 páginas? Vale lembrar que a outra história das Terra Média levada às telas, o sucesso fenomenal O Senhor do Anéis, também teve três filmes, mas derivados de um livro com mais de mil páginas.

O primeiro filme da saga até me agradou, para dizer a verdade. O segundo já foi mais ou menos, mas o terceiro conseguiu ser terrível e fechou a trilogia de forma vergonhosa. Pois bem, vocês devem estar se perguntando o que de fato não me agradou. Começo falando então dos efeitos especiais. Extremamente exagerados e superficiais, eles deixaram o filme com uma aparência de jogos de vídeo-game. Os personagens não pulavam, saltitavam. Ficou tão falso quanto uma nota de três reais. Em comparação com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson teve dessa vez em mãos uma tecnologia ainda mais avançada e em 3D, e talvez tenha sido exatamente isso que estragou. O excesso as vezes não cai bem.

O roteiro por si só deixou diversos furos e pontas soltas, e qualquer um que tenha lido o livro percebe isso explicitamente. Nesse momento muitos vão dizer que "um filme não precisa ser extremamente fiel ao livro", mas com isso eu não concordo. Se é para adaptar para as telas, que seja pelo menos o mais próximo possível do original. Foram dois filmes e meio de "enrolação" para no final mostrar tudo de forma corrida, deixando coisas sem nenhuma explicação. O terceiro filme começa sem nenhuma espécie de introdução, o que deixa qualquer um perdido (a não ser que você olhe os três filmes de uma vez só, sem parar). Nem as atuações de um excelente elenco salvaram a trilogia, pois pareciam todos marionetes de um enredo vazio.


O exagero nos efeitos foi o principal ponto negativo da franquia.

Festivais e premiações nem sempre devem servir de parâmetro para dizer se um filme é bom ou ruim, mas em alguns casos sim, isso quer dizer alguma coisa. Não é à toa que o sucesso anterior de Peter Jackson levou para casa nada menos do que 22 estatuetas do Óscar das 30 que disputou. Já O Hobbit termina sua sequência quase esquecido pelas premiações e sem levar nenhum prêmio para casa.

Por mais que os filmes tenham sido abaixo do esperado, não há como negar que a velha música do condado dos hobbits ainda emociona. No final do último filme há também uma espécie de prólogo da história de Os Senhor dos Anéis, retratando o apêndice que Tolkien escreveu no final do livro original. Outra ligação feita entre uma história e outra é o fato de mostrar quando Bilbo Bolseiro encontra o anel que Frodo destrói anos depois.

Opinião da Crítica e o desempenho nas bilheterias

A opinião dos críticos, em geral, foi bastante dividida. Peter Jackson utilizou na trilogia uma tecnologia revolucionária, utilizando 48 quadros por segundo ao invés do padrão que é 24. Enquanto alguns afirmaram que "tudo parecia mais nítido, dando uma sensação mais real e suave", outros disseram que "a qualidade ultra-real possibilitou detectar mais fácil sets pintados e narizes falsos do que em qualquer outro filme".

A única coisa que dá para dizer que não foi um fracasso em O Hobbit foi o valor arrecadado nas bilheterias. E assim como premiações, todos sabemos que isso também não quer dizer absolutamente nada. Os três filmes foram um sucesso, arrecadando mais que o triplo do orçamento, sobretudo o último filme. Salas lotadas também dividiram opiniões, mas em sua grande maioria foram positivas.

Em um passado não tão distante, os efeitos eram apenas ferramentas extras para dar realismo a determinados tipos de histórias, e não o "carro-chefe" de uma produção. Por fim, a dúvida que fica é a mesma que já vem de anos: será que o cinema está realmente indo para frente com a ajuda da tecnologia ou será que está regredindo? Será que o talento está perdendo seu valor com o uso exacerbado da computação? Isso eu deixo para vocês refletirem.

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