domingo, 10 de maio de 2015

Crítica: Kurt Cobain - Montage of Heck (2015)


A trajetória de Kurt Cobain, líder do Nirvana, já foi contada de diversas formas, e coube ao diretor Brett Morgen trazer essa história mais uma vez aos cinemas. Já considerada por muitos como a biografia definitiva do artista que revolucionou o rock nos anos 1990, Kurt Cobain - Montage of Heck é sem dúvida o musical mais esperado do ano.



O filme já começa com a lendária apresentação da banda no Brasil, famosa por ter Kurt entrando de cadeira de rodas e uma peruca loira no palco, um pouco antes de começar os primeiros acordes da explosiva Territorial Pissing. Logo já começam as entrevistas, primeiramente com a mãe, o pai e a irmã de Cobain, que vão relatando um pouco mais da sua infância e da sua tumultuada adolescência.

O que mais chama a atenção é justamente a participação dos três no filme. Em outros documentários sobre Cobain, como Kurt Cobain - Retratos de Uma Ausência lançado em 2009, eles eram apenas citados, e as entrevistas eram quase todas feitas com amigos da época e colegas de palco. Logo ficou claro que a intenção de Morgen desde o início era abordar primordialmente o laço familiar de Kurt, e mostrar como essa relação moldou sua cabeça ao longo dos anos.



Entre todas as entrevistas do filme a que mais surpreende de fato é a da ex-mulher e líder do grupo Hole, Courtney Love. Pela primeira vez ela ganhou voz e espaço (e principalmente aceitou de bom grado) para expôr seus sentimentos a respeito da relação que existia entre eles durante os anos em que foram casados. O começo da relação, os momentos de "perseguição" que viveram durante a gravidez de Frances Cobain, as brigas, o abuso de drogas e as causas que levaram à morte do companheiro, tudo é esclarecido sem papas na língua.

O diretor da produção levou mais de oito anos para reunir todo o material do filme, de fotos exclusivas da família a mais de 200 horas de filmagens inéditas do cotidiano de Cobain. Ao longo do filme, vemos o menino Cobain brincando com seus brinquedos quando pequeno, o jovem Cobain tocando seus primeiros acordes na guitarra, e o Cobain que todos conhecemos, fazendo coisas rotineiras que nunca haviam sido mostradas antes ao público, como algumas brincadeiras particulares com sua esposa Courtney Love na hora do banho e na hora de dormir.

Como já dito, o documentário teve a intenção de mostrar o lado mais humano de Kurt Cobain, e conseguiu isso muito bem. Entre tantas imagens reais, chama a atenção também o pertinente uso da computação gráfica, que mostra de forma animada fatos importantes na vida do cantor, além de "dar vida" aos seus diários, rascunhos de letras e desenhos. Literalmente entramos na mente de Kurt, o que ajuda a compreender um pouco mais sobre o que teria o levado ao trágico final.



Por fim, para quem gosta de Nirvana esse é um documentário imprescindível, mas ao mesmo tempo, a narrativa confusa, principalmente nas partes com efeitos visuais, afasta logo de cara quem não é fã da banda. Evidentemente que a trilha sonora compensa, e só por isso já vale a pena cada segundo.


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