sábado, 13 de abril de 2013

Crítica: A Caça (2012)


O diretor Thomas Vitenberg, que ficou conhecido por formar o movimento Dogma 95 ao lado do também dinamarquês Lars Von Trier, despontou para o cinema ainda nos anos 90 com seu trabalho mais convincente até então, Festa em FamíliaAgora, mais de 15 anos depois, Vintenberg volta a ter seu nome aclamado com um filme grandioso, que talvez seja afinal o melhor da sua carreira, mostrando todos os efeitos que causam um pré-julgamento da sociedade na vida de um indivíduo comum.



A Caça (Jengen) conta a estória de Lucas, um professor do jardim de infância que ama cuidar de suas crianças. Os problemas de Lucas começam quando Klara, uma menininha doce e angelical, insinua a supervisora do jardim que Lucas teria mostrado suas partes íntimas a ela. Na verdade, Klara havia nutrido uma paixão pelo professor e inventou essa mentira por não ter tido essa paixão correspondida. A menininha conta sua mentira sem ter o mínimo de noção do que isso acarretaria, não só para Lucas, mas para o vilarejo inteiro.



O fato dá início a uma série de perseguições morais contra o personagem, vivido brilhantemente por Mads Mikkelsen (que já havia me agradado em O Amante da Rainha e novamente prova ser um grande ator). Os adultos não acreditam na palavra do professor, já que preferem acreditar que "crianças nunca mentem". A situação vira caso de polícia, e Lucas chega a ser preso por pedofilia.




É interessantíssimo notar a forma como o diretor nos mostra toda o desenrolar da estória. É normal ficarmos revoltados com a reação da população, mas ao mesmo tempo, se analisarmos friamente, notamos que provavelmente faríamos o mesmo, ou até pior, o que nos impede de os julgarmos como culpados. Vitenberg nos mostra diferentes pontos de vista com sabedoria, gerando uma tensão crescente a cada cena.



Mas o fato mais importante é que o filme trata, como já foi dito, do devastador efeito de pré-julgamento feito pelas pessoas em determinadas situações. Achei a escolha do nome propícia, até pelo fato do professor ser também um caçador (o caçador que vira caça, mais ou menos isso).




Sobre o final, fica uma única questão: é possível, depois de todo trauma moral, alguém continuar morando num mesmo local, convivendo com as mesmas pessoas, e vivendo tranquilamente? Na visão de Vintenberg, e na minha também, isso é impossível, já que as marcas do passado não se apagam tão facilmente quanto se pensa.



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