sexta-feira, 24 de maio de 2013

Crítica: Lore (2012)



Arrebatador. Essa é a melhor definição que encontrei para descrever Lore (Lore), co-produção entre o cinema alemão e o cinema australiano, que mostra a segunda guerra mundial sobre um novo e original ponto de vista.




Não espere algo já manjado em filmes do gênero, como a luta pela vida nos campos de concentração ou batalhas sanguinárias sobre os desmandos de Hitler e seus aliados. O filme foca justamente no período pós-guerra, sobretudo nas marcas que o conflito deixou na população.

Lore, que dá nome ao filme, é filha de pais filiados ao partido de Hitler e fortemente envolvidos com seus ideias. Quando Hitler é morto e a guerra chega ao fim, a Alemanha é tomada pelos rivais americanos e soviéticos. Os pais de Lore a "abandonam", deixando-a responsável pelo cuidado de seus quatro irmãos mais novos, entre eles um bebê de colo. A jovem precisa atravessar o país em busca de refúgio na casa da avó, mas até chegar lá, muitas coisas acontecem pelo caminho. 



Com uma fotografia impecável, e cenas abertamente reflexivas, o filme mostra todo o trauma psicológico que tomou conta do país e de seus habitantes após a guerra, principalmente aqueles que não estavam de lado nenhum, e viveram dentro de suas casas o período inteiro. Eles passam a observar incrédulos a verdade por trás do mandato de Hitler, e alguns até não acreditam, e preferem achar que as fotos do massacre judeu não passam de "montagem" do exército americano.

Aliás, a estória foge daquela linha do alemão nazista vilão e do judeu como vítima. Obviamente que isso fica subtendido por tudo que pré-sabemos da história, mas o que o filme nos mostra é justamente a parte da população alemã inocente, que nada tinha a ver com o que estava acontecendo, mas que sofreu tanto quanto quem era responsável.




Para Lore, a peregrinação não passa de uma experiência perturbadora. Ensinada desde pequena a não gostar de judeus e a assistir passivamente à guerra, a menina mostra bem o lado dito antes: das pessoas que não sabiam de nada do que estava acontecendo no país, principalmente nos campos de concentração. Isso se intensifica quando Lore conhece Thomas, refugiado de um campo, que acompanha ela e seus irmãos por um bom pedaço do trajeto.

Acaba nascendo um sentimento incomum entre os dois, de amor e medo. Lore está tão atordoada com as novas descobertas que surgiram ao sair das quatro paredes de sua casa, que não sabe mais em quem confiar, muito menos o que deve fazer. Ela só tem uma causa a seguir: levar os irmãos a salvo até o destino final.



Um filme altamente recomendado, cruel e verdadeiro, do tipo que deixa o espectador boquiaberto ao chegar no fim. Um trabalho convincente e corajoso, que merece todos os aplausos e elogios possíveis.


Um comentário:

  1. O filme pode até ter trazido coisas boas a mesa, mas temos que admitir que é um filme com narrativa chata e personagens mal desenvolvidos, a Lore e o Thomas eram muito confusos, uma hora ele tentou estuprá-la, outra hora ele ajudou ela, uma hora ela o odiava/tinha medo por ser um judeu, outra hora queria transar com ele, aí faz quem tá assistindo perder completamente o interesse. O filme até tinha potencial com todos os temas que foram trabalhados, mas a história fraca/personagens sem graça destruiram tudo pra mim.
    2,5/5 estrelas

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