quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Crítica: A Hora Mais Escura (2012)


Concorrente ao Oscar de melhor filme desse ano, A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) é mais um filme arrojado da diretora Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar em 2010 por Guerra ao Terror. Ela retorna novamente ao tema do terrorismo, e nos mostra em duas horas e meia todos os esforços que o governo americano e a CIA fizeram para encontrar os principais membros da Al-Qaeda, sobretudo seu líder, Osama Bin Laden.




O filme começa arrastado, com um emaranhado de informações sobre os ataques ao World Trade Center em 2001 e os ataques posteriores que a rede terrorista propagou pela Europa. Parece-me aqui, que a diretora faz de propósito para nos mostrar a importância do nome de Bin Laden na história do mundo, porém, achei um pouco exagerado.

Outro ponto excedente da narrativa acontece logo na primeira cena, onde os americanos torturam um árabe na busca por informações. Muita gente criticou o filme e o viu como uma apologia ao métodos usados pela CIA, e eu não tiro a razão. Talvez o excesso nisso tudo tenha sido o tempo de duração da cena, que ficou quase meia-hora mostrando os horrores cometidos pelos americanos contra o prisioneiro.



No entanto, após esse começo lento, o filme começa a ganhar ação. Um tanto exagerada em algumas partes, eu diria, o que acaba tornando-o apenas mais um filme de "guerra", sem reflexões ou questões éticas. O enredo é seco e mostra o que tem de ser mostrado, mas parece faltar uma interferência mais humanista pelo lado da diretora. Os dados parecem ser jogados, e muita coisa fica sem explicação.

Sobre as atuações, eu até gostei da Jéssica Chastain no papel principal. Ela conseguiu se passar bem pela "mulher por trás da captura de Bin Laden". Aliás, esse é um ponto que gostei do filme: pouca gente (inclusive eu) sabia que havia uma mulher comandando tudo, e achei bonito a forma como isso foi mostrado. Até achei justa a indicação da Chastain ao Oscar, mas não aposto minhas fichas nela.



Enfim, A Hora Mais Escura talvez seja o melhor filme da carreira de Bigelow, mas ainda assim falta algo. Foi importante pelo contexto todo e por mostrar uma história importante que merecia uma adaptação, mas Bigelow continua sendo a campeã em filmar cenas longas e desnecessárias, e isso acaba arruinando seus filmes.


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