quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Crítica: Quem Fizer Ganha (2023)


Em 2001, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de futebol masculino, a seleção da Austrália goleou a Samoa Americana por um sonoro placar de 31x0. Até hoje, esta é considerada a maior goleada de um jogo oficial realizado entre duas seleções. Vendo potencial na história, o diretor Taika Waititi (de Jojo Rabbit) resolveu fazer uma comédia em cima disso, e o resultado é Quem Fizer Ganha (Next Goal Wins).


O filme inicia mostrando os gols desta partida histórica, e logo faz uma breve introdução sobre a cultura e a rotina do povo de Samoa Americana, uma ilha minúscula no meio da Oceano Pacífico e que atualmente conta com uma população estimada em 44 mil pessoas. Última colocada no ranking da FIFA (Federação Internacional de Futebol), a seleção de Samoa Americana não é composta por nenhum jogador profissional, sendo formada basicamente por pessoas do povo, que tem dois ou três empregos comuns, e apenas gostam de futebol e se juntam para defender as cores do país quando é preciso.

O enredo tem aquela estrutura básica e já conhecida, que visa apresentar um grupo de pessoas sem aptidão alguma para o esporte mas que mesmo assim são determinadas em tentar fazer o seu melhor quando incitadas. Quem chega para comandar a seleção após o placar vergonhoso contra a Austrália é Thomas Rongen (Michael Fassbender), que recebe a missão praticamente como se fosse um castigo da Federação Norte-Americana por seus péssimos resultados. Mesmo contrariado, Rongen desembarca na ilha para treinar a seleção para as próximas eliminatórias, e aos poucos acaba se enturmando com todos os moradores, ouvindo suas histórias e tirando o melhor que consegue de cada um.


O tom da comédia me lembrou (com muitas ressalvas) o humor da série Ted Lasso, até pelo tema envolvido. Michael Fassbender parece bem à vontade em um papel que não é costume vê-lo fazer, e eu adorei essa sua veia cômica. Único ponto negativo em relação ao elenco é a participação pífia da Elizabeth Moss, que aparece uma vez ali, outra acolá, e tem basicamente uma ou duas linhas de diálogo o filme inteiro, sendo na verdade um grande desperdício. O jeito que Waititi trata algumas tradições do povo da ilha também tem o humor um pouco duvidoso. Se as vezes parece que o diretor quis trazer esses elementos para mostrar um pouco da cultura local, ao mesmo tempo ele parece querer ridiculariza-los. Ainda assim, é uma comédia que consegue entreter, apesar dos defeitos evidentes.

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